Marta Faustino
16 Novembro 2021
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“Ups”, não tenho inteligência emocional e agora?

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Inteligência emocional é um conceito já muito estudado, divulgado e falado, devido à sua grande importância, tanto na vida profissional, como na vida pessoal.

Já vimos, no artigo anterior, que a inteligência emocional engloba a autoconsciência emocional (reconhecer emoções); a empatia; a automotivação; gestão de relacionamentos; e gestão emocional (autodomínio). E como este conceito é tão importante na vida de qualquer pessoa.

Então, mas se eu não sou inteligente emocionalmente, será que posso ainda vir a ser?

A resposta é SIM! Existe algo que se chama plasticidade neuronal, que é o facto de os nossos neurónios, ao contrário do que se pensava, não estarem só a morrer. Existem novas ligações neuronais no nosso cérebro, com determinadas experiências e aprendizagens, ao longo do tempo, isto indica-nos que podemos aprender, também a sermos inteligentes emocionalmente. Para isso precisamos treinar alguns aspetos. É como ir ao ginásio para treinar e fortalecer os nossos músculos. Com o cérebro funciona da mesma forma. Portanto, a inteligência emocional pode ser treinada, mas é necessário que se faça uma avaliação do comportamento, formas de reagir, de estar, de tomar decisões. A pessoa precisa de se colocar em causa e não assumir que já está pronta e que a sua forma de pensar é a melhor.

Algumas dicas para trabalhar a inteligência emocional são:

  • Estar atenta às minhas reações para com os outros: julgo antes de conhecer todos os factos? Sinceramente, como é que eu penso e interajo com os outros? Será que eu tenho sempre razão? Consigo ver o lado do outro, compreender as suas razões, perspetivas e necessidades?
  • No seu ambiente de trabalho: procuro as atenções para as minhas conquistas? A humildade é um bom aliado e isso não é ser tímida ou insegura, mas entender que os outros também fazem coisas bonitas e eu não tenho que ser sempre elogiada.
  • Humildade: saber as minhas qualidades, feitos e não precisar de os apregoar. Posso silenciar e ficar confiante do meu bom trabalho. Poder dar a oportunidade a outros de serem aplaudidos. Quem sabe até ser eu a elogiar outros e não centrar em mim.
  • Fazer uma auto-avaliação: ter a humildade de ver os meus erros e perceber que não sou perfeita, que tenho caminho a percorrer e posso trabalhar algumas coisas em mim.
  • Como reajo a situações stressantes: fico aborrecida, ou chateada mesmo, quando há um atraso ou algo não acontece como gostaria, ou pensava? Como é importante manter a calma e o controlo da situação em momentos difíceis, peculiares, sensíveis.
  • Assumir responsabilidades: aceitar os meus erros, reconhecer onde errei e pedir desculpa pelas minhas atitudes erradas, sem rodeios, nem desculpas para os meus erros. E não evitar a pessoa para não a encarar e assumir a minha responsabilidade.
  • Impacto emocional das minhas ações nos outros: pensar nas minhas decisões e se elas afetarão os outros, se sim, preciso colocar no lugar deles e compreender como se vão sentir e o que posso fazer para mudar, de forma a não magoar ninguém, ou escolher o caminho que traga menos danos possíveis.

Bem, agora é trabalhar.

Comece por ir treinando um ou dois aspetos e vá aumentando à medida que consegue consolidar esses passos.

Bons treinos.

Veja artigo anterior:
Como saber se sou inteligente emocionalmente?

Marta Faustino
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Marta Faustino

Casada, mãe e membro da Comunidade Canção Nova. É psicóloga clínica, com pós-graduação em Neuropsicologia de Intervenção, Psicopatologia da Criança e do Adolescente, e em Logoterapia e Análise Existencial. Contacto: marta.faustino@gmail.com

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