Realizar a Vocação

Chamados à vida, pelo Amor e com um propósito único: querer aprender a amar!

Aqui está a nossa maior vocação (=chamamento), aqui está a nossa maior realização, pessoal e comunitária; a de sermos verdadeiramente amados e realmente capazes de amar.

Aqui estão as profundas e eternas raízes da Paz e da Alegria que todos somos carentes e indigentes.

Aqui está a boa notícia (=Evangelho) que somos chamados e enviados a anunciar a toda a humanidade.

E quem é que não quer ter paz e alegria no coração?

Quem, em boa consciência, as pode dispensar?

Só neste ambiente (divino) nos realizamos como pessoas.

Sem experimentarmos paz e sem irradiar alegria despersonalizamo-nos. Viramos selvagens e tornamo-nos lobos dos outros, em vez de sermos irmãos.

Isso mesmo: descobrimo-nos irmãos, gerados numa paternidade e maternidade divinas.

Deus sonhou-nos e quer-nos pessoas, à imagem de Seu Filho; a Pessoa divina que, para nos revelar o Amor do Pai e nos comunicar o Espírito que une divinamente o Pai e o Filho, Se fez homem como nós para nos fazer filhos de Deus, como Ele é o Filho.

Jesus Cristo é a realização plena da vontade do Pai, de nos chamar a vivermos em intimidade com Ele. Deixarmos de ser órfãos para sermos filhos de Deus! Eis a nossa dignidade oferecida e recuperada.

Que possamos cair em nós mesmos (como aconteceu na parábola que Jesus contou acerca do filho mais novo que saiu de casa para esbanjar tudo o que era seu e após se ver sem nada) e voltar para casa do Pai onde somos revestidos com uma nova túnica, com sandálias nos pés, com o anel de aliança recuperada e, sobretudo, com a grande festa, expressão da alegria de ter estado morto mas, sobretudo, ter voltado à vida: recuperados todos os dons de Deus, que só são perdidos quando nos afastamos dele.

O próprio filho mais velho ainda não tinha percebido que tudo o que estava na casa do Pai lhe pertencia e que, por isso, podia ter feito também festa.

Que tristeza, ter tudo para viver alegre e em paz e viver no rancor ou na presunção que são as suas raízes. Pois que haja comunhão gerada na relação e no conhecimento mútuo.

A Igreja existe para isto mesmo: gerar relação e comunhão em Deus e uns com os outros.

Que novos céus e nova terra surgirão quando esta realização for conforme à nossa vocação universal.

É que não há quem não seja chamado e não há quem não seja destinatário.

Mas quantos não ouvem este chamado e quantos ainda não descobriram qual a realização que é preciso concretizar?

Uma grande ideia está sempre ligada a uma missão enorme que só se prova e se revela devidamente, como ela é, quando ela se torna, realidade!

Assim, muito mais do que uma boa hipótese, a missão torna-se real e manifesta-se para louvor e gratidão de muitos, e por muito tempo.

A vocação e realização de um cristão, não ignoremos nem esqueçamos nunca, está na sua participação na edificação do Reino de Deus.

Assim se motivam e se determinam os homens e mulheres grandes!

É que Deus chama-nos a ser grandes.

O seu chamamento é sempre para longos caminhos, para grandes projetos, para corações que se tornam universais. Lembremos só de São Francisco. Como ele se tornou irmão universal de todos (de todas as experiências de espiritualidade) e todos o tomam como seu irmão.

Deixemo-nos de coisas mesquinhas!


Padre José Luís Borga, Diocese de Santarém