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Os filhos carregam sentimentos de culpa com a separação dos pais

  • 16/02/2017
  • Nuno Nogueira
  • Arquivo

A separação dos pais causa nos filhos problemas psicossociais e emocionais

A família é um espaço importante para a formação da identidade dos filhos. Quando ocorre uma ruptura nesses vínculos e a criança não consegue sublimar as perdas inerentes nesse processo, o desarranjo familiar pode provocar prejuízos psicossociais e emocionais.

É importante reconhecer que a separação do casal é sempre um processo doloroso para todos os envolvidos, mas, dependendo da idade, pode ter consequências diferentes. Essa situação pode ser agravada quando existe muita tensão no ambiente com agressões verbais ou físicas.

Quais sentimentos surgem na separação?

Ao vivenciar essa situação, a criança pode achar que a quebra dos vínculos do casal significa também que o mesmo acontecerá com ela, o que desperta sentimentos de medo, frustrações e culpa, além de acalentarem fantasias de reconciliação. Normalmente, os bebês reagem com medo; as crianças menores com fantasias; e as maiores com sentimentos de culpa. Muitas vezes, a perda não se resume apenas à supressão da presença parenteral no ambiente do lar, mas também da atenção e do amor dos pais.

O convívio após a separação

Com a separação, o casal cria novos arranjos, por isso atenção para os possíveis jogos de manipulação que a criança consciente ou inconscientemente praticará pelo luto não trabalhado.

Quantas vezes a criança guarda raiva ou mágoa e quer se vingar dos pais pelo sofrimento! Esses, por se sentirem culpados, cedem às manipulações infantis no lugar de conversar francamente, assumindo a responsabilidade e mostrando que percebem o sofrimento que causaram nos filhos, mas que não vão se submeter às chantagens emocionais.

Por outro lado, a onipotência infantil pode despertar sentimentos de culpa, por acreditar que foi culpada pela separação dos pais. Quando os pais, também com esses sentimentos, alimentam uma relação doente, ambos entram num jogo contínuo de culpa. As mágoas vão crescendo e sentimentos não trabalhados se transformam em barreiras sem fim. Mudar esse jogo tornará a relação parental saudável e poderá criar um relacionamento muito melhor.

A importância do diálogo

Existem pais manipuladores que criam sentimentos de culpa por meio de cobranças, chantagens e expectativas nunca atendidas. No verso dessa relação, encontram-se filhos que estão sempre em débito com os pais, vivenciando um sofrimento para si e para os seus. É preciso que os pais entendam a tristeza da perda e ajudem aos filhos a se libertarem desses sentimentos, reconstruindo sua identidade e autoestima.

Os pais precisam falar e demonstrar que os filhos não são a causa da separação, para evitar culpas e autopunições em crianças que não conseguem a reconciliação. Independente da idade, é importante informar sobre a separação e assegurar que o amor pelos filhos permanece mesmo que a rotina de convivência seja alterada. Se precisar, não hesite em buscar ajuda profissional para a criança lidar de forma positiva e madura com um novo contexto de família.

Mesmo sendo um momento delicado, é importante frisar que a adaptação dos filhos à situação depende principalmente de como o casal lida com a circunstância e a forma como interage entre si e com seus filhos durante e após a separação.

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