Gracielle Reis
26 Março 2020
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Não consigo rezar. E agora?

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Antes de abordarmos algumas pistas sobre quando nos encontramos nesta situação, vejamos este trecho do livro dos Atos dos Apóstolos:

Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam en­trando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: “Olha para nós”. Ele os olhou com atenção, esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: ‘Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!’. E, tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto, pôs-se de pé e andava. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus. Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido. (At 3,1-10)

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Não sabemos o nome e nem a idade do homem coxo. O certo era que trazia essa doença desde o nascimento e, devido ao contexto cultural da época, imaginamos que seria alguém desprezado, excluído e uma das únicas alternativas que tinha em sua vida era ficar na porta do templo a pedir esmolas.

Até que um encontro inesperado mudou a sua trajetória: Pedro e João fixaram os olhos nele – ou seja, olharam-no com atenção e profundamente – e pediram: “Olha para nós”. O coxo ficou atento a eles, mas a situação cómoda em que vivia apenas o levava a crer que receberia esmolas como em outras vezes. Mas não, Pedro quebra os seus paradigmas e declara com segurança: “Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!”.

O homem enfermo estava no automático de sua vida e devia sempre repetir as mesmas frases ao pedir dinheiro, como até vemos pedintes de nossos dias. Mas Pedro o interrompeu, deu uma ordem e o fez despertá-lo. Interessante é notar também a sensibilidade do apóstolo, naquele momento, pois segurou o homem pela mão e o levantou, até ficar firme com os pés e tornozelos.

Mas o que podemos apreender deste texto bíblico para o nosso questionamento inicial? “Não consigo rezar. E agora?”

A partir desta passagem, podemos observar algumas atitudes práticas para o nosso dia a dia, pois a nossa tendência é também de ser como o coxo: paramos em nossas enfermidades do coração e nos acomodamos em tal situação. Repetimos os mesmos lamentos e só esperamos a esmola de alguém passar a mão e nossa cabeça. Ou então, reclamamos da correria do dia a dia, falta de tempo e muitas tarefas. Atitudes que afetam diretamente a nossa vida de oração e relação do Deus.

1º passo: Olhar para Deus e não para si

O imperativo de Pedro ao dizer ao coxo “Olha para nós” pode significar, para a nossa vida, o ato de olhar para Deus e não enxergar apenas a situação na qual nos encontramos. É necessário sair de si para conseguir rezar. Sair do agito interior, das murmurações, preocupações e lamentos. Permanecemos, muitas vezes, no modo “piloto automático”: nutrimos os mesmo pensamentos, sentimentos e palavras e não olhamos para Deus. Então, agora é hora de parar e voltar o olhar, a vida e o coração para o Senhor!

2º passo: Permitir que o Senhor conduza a nossa rotina 

Nosso cotidiano, com toda certeza, é pesado, atribulado e muito corrido. Temos o nosso trabalho, família, filhos e tantas atribuições. Ficamos tão presos e tão “viciados” a essa rotina e não damos espaço para Deus. Quando Pedro declarou “Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!”, o apóstolo quebrou os paradigmas daquele homem e quebrou a sua rotina. Quando permitimos que Deus conduza o nosso dia a dia e abrimos espaço para estarmos com Ele, a vida e os afazeres se transformam. E, em vez do que esperamos normalmente receber (o ouro e prata das riquezas, status e coisas desse mundo), recebemos o que há de melhor: o Seu amor, misericórdia, paz, forças e o dom do Espírito Santo! É ele que nos põe de pé, faz andar e ter os pés e tornozelos firmes!

3º passo: Dar um salto de qualidade

Após ser erguido, o enfermo deu um salto e colocou-se de pé. Precisamos, de igual maneira, dar um salto de qualidade em nosso relacionamento com Deus. E como fazer? Através de ações simples como a Igreja já nos ensina: participar da Santa Missa aos domingos e dias santos e sempre que possível; rezar o Santo Terço; recorrer com frequência ao Sacramento da Reconciliação; meditar a Palavra de Deus e a dica é acompanhar a liturgia diária; fazer jejum e adoração eucarística. Na Eucaristia, seja celebrada ou adorada, estamos diretamente com Jesus vivo e presentes nas espécies do pão e do vinho. Os outros meios de oração são instrumentos concretos para nos inserir no espaço do sagrado, fazendo com que toda a rotina seja uma “tenda de oração”. A nossa intimidade com o Senhor só irá crescer e o cotidano se tornará mais leve quando Ele for o centro de tudo e de todas as nossas escolhas.

4º passo: Ser grato por tudo

Após ser curado, o coxo “entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus”. Quando nos empenhamos em uma vida de oração, o nosso olhar sobre a vida e situações se torna novo! A gratidão e o louvor são formas de rezar e de estarmos próximos a Deus. Um coração agradecido é um coração semelhante ao de Jesus, que era todo do Pai e sua vida era uma verdadeira oferta de amor. O agradecimento é ainda uma atitude de libertação. Um comportamento que, além de nos colocar mais íntimos de Deus, torna a vida mais leve. Olhamos os desafios e preocupações com esperança e confiança em Deus.

Ao seguirmos estes simples passos, os nossos parâmetros se transformarão nos parâmetros de Deus. E o mais importante: não sairemos de Sua presença e de Seu amor.

 

Gracielle Reis

Missionária da Comunidade Canção Nova, carioca, jornalista pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Já atuou em coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na Terra Santa. A jornalista tem experiência em rádio, TV e plataformas digitais, além de projetos de evangelização nacionais para a juventude. Atualmente, é jornalista da TV Canção Nova de Portugal. Instagram: @graciellereiscn
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