Marta Faustino
15 Fevereiro 2022
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Educar é encher o depósito emocional dos nossos filhos de amor

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No artigo anterior, vimos como lidar com as birras dos 2, 3 anos e ajudar os nossos filhos a tornarem-se inteligentes emocionalmente.

Hoje e nos próximos artigos, gostava de falar de um outro aspeto, muito importante, que por vezes dificulta o nosso relacionamento com os nossos pequenos, que é a linguagem do amor.

Gary Chapman, autor de vários livros sobre as linguagens do amor, explica-nos que cada um de nós tem a sua forma de exprimir e de se sentir amado, no entanto, a outra pessoa pode não se sentir amada com essa forma de amar. Isto é, ele refere que existem cinco linguagens do amor e que cada um de nós tem uma que é dominante e onde se sente mais amado, precisamos é de descobrir a linguagem do amor do outro, para, dessa forma, o amarmos da maneira que ele se vai sentir amado.

Com as crianças passa-se exatamente o mesmo, cada uma, por mais pequenina que seja, tem já a sua forma de se sentir amada e especial e nós, pais, precisamos descobrir qual a linguagem do amor dos nossos filhos e tentar amá-los dessa forma.

“Mas porque isto é assim tão importante, se eu lhes dou abraços, beijinhos e digo que os amo eles entendem!” Sim, eles entendem, mas o seu “depósito de amor”, segundo Chapman, não se enche, logo, a criança não se vai sentir preenchida com o amor dos seus pais, ainda que entenda, cognitivamente, que eles a amem. “Cada criança possui um depósito emocional, um reservatório de energia emocional que o alimenta através dos desafiantes dias da infância e da adolescência. Assim como os carros são alimentados pelo combustível armazenado nos seus depósitos, (…). Devemos encher os depósitos emocionais dos nossos filhos para que eles possam operar como devem e alcançar todo o potencial de que são capazes.”

O depósito emocional dos nossos filhos precisa ser cheio com algo que Chapman refere como “amor incondicional”, isto é, de amor verdadeiro, que é total e livre, que aceita a pessoa como ela é e não pelo que ela faz, diz, consegue. Desta forma, não importa o que a criança faz (ou não faz), os seus pais vão sempre amá-la. No entanto, nem sempre nos expressamos desta forma, podemos estar a amar os nossos filhos de forma condicional, isto é, quando associamos o nosso amor a recompensas, presentes, privilégios, após determinado comportamento. Isto pode ser feito, mais à frente, quando o depósito emocional está cheio, caso contrário eles não se vão sentir seguros do nosso amor. “Somente o amor incondicional previne problemas como ressentimento, amargura, sentimentos de não ser amado, culpa, medo e insegurança. Só quando damos aos nossos filhos o amor incondicional somos capazes de compreendê-los profundamente e de lidar de maneira adequada com seus comportamentos, sejam eles bons ou maus.”

Amar de forma incondicional não é mimar os nossos pequenos, mas é dar-lhes a certeza do nosso amor, não importa o que aconteça ou o que eles façam. Para isto é preciso pensarmos em alguns pontos e refletir neles, de vez em quando:

  1. Os nossos filhos são crianças e não adultos, portanto agem como crianças. Muitas vezes olhamos para fotos deles em pequeninos e arrependemos de determinadas atitudes que tivemos, pois eram pequeninos! Pois é, podemos fazer isso já hoje!
  2. Eles vão crescer e essa atitude irritante que ele tem hoje vai passar. A maioria dos comportamentos infantis são irritantes, chatos, mas passam!
  3. Quanto mais eu desvalorizar esses comportamentos desagradáveis menos eles vão aparecer e quanto mais valorizar os comportamentos bons, mais eles vão aparecer. Os nossos filhos também gostam de nos ver bem, a sorrir, divertidos e, portanto, também eles provocam esses comportamentos em nós. Vamos desvalorizar e não alimentar o que não queremos neles.
  4. Não pensar que os nossos filhos fazem de propósito para nos irritar. Não podemos partir desta premissa, pois dessa forma iremos reagir numa atitude defensiva ou de vingança, até. O nosso pensamento precisa ser antes de benevolência e dúvida e agir na medida da idade da criança que tenho à frente.

Vamos ser os pais que gostávamos de ter para nós, o amor nunca é demais e tenha sempre esta frase em mente “Ele/ela é só uma criança, pensa e age como criança, eu é que sou o adulto e preciso amar e orientar esta criança”.

Artigo anterior: Como amar o meu filho no auge das birras?

Marta Faustino
Shear it!

Marta Faustino

Casada, mãe e membro da Comunidade Canção Nova. É psicóloga clínica, com pós-graduação em Neuropsicologia de Intervenção, Psicopatologia da Criança e do Adolescente, e em Logoterapia e Análise Existencial. Contacto: marta.faustino@gmail.com

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