Discernimento pessoal: o caminho para uma vida em comunhão com Deus
Queridos irmãos e irmãs que fazem parte dessa família maravilhosa de Deus, nós estamos aqui, neste momento, para dizer ‘sim’ a Jesus. Sim, porque Ele não nos pede nada nem mede a nossa capacidade, mas essa é a nossa vontade de ser, a nossa vontade de dar, de doar. É o “dar-se-vos-á” na vida de Deus: quanto mais você dá, mais você recebe. Nunca se esqueça disso e nunca queira não experimentar essa ação bondosa de Deus para conosco.
Hoje, nós vamos falar um pouco do discernimento pessoal. O que quer dizer discernimento? A palavra que Deus nos dá está em Primeira Reis, capítulo 3, versículos 8 a 9, e ela nos diz assim: “Eis que vosso servo se encontra no meio do vosso povo escolhido, um povo imenso, tão numeroso que não se pode contar nem calcular. Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal. Pois sem isso, quem poderia julgar o vosso povo tão numeroso?”
O pedido de Salomão e a nossa realidade de julgamento
É uma realidade da nossa vida julgar. Todos nós temos o ímpeto, a vontade, e sempre julgamos, queiramos ou não. Julgamos o irmão, o pai, a mãe. Julgamos até Deus! Perguntamos: “Por que Deus não fez isso? Se acredito tanto em Deus, por que eu estou nessa situação?” Não é assim a nossa vida? Uma vida terrivelmente chata, não é verdade? Mas nós temos que ter essa ânsia de nos aperfeiçoar. Quem sou eu? Quem é você? Quem é Deus? Imagina você, como um bom cristão: você tem muita gente para falar, muita gente para poder julgar. E quem é você para julgar? Quem sou eu para julgar?
O perigo de se tornar o “Dono da Verdade”
A primeira coisa que eu quero dizer para vocês é que nós temos que ter esse discernimento pessoal para poder dar um passo de julgamento ou um passo de retroagir esse julgamento, porque, muitas vezes, o irmão não está preparado para ser julgado. Mas o que acontece conosco? Nós somos os donos da verdade. Isso para nós é muito difícil, é irritante.
Muitos de nós nos acostumamos com essa postura. Paramos e pensamos: “Por que aconteceu isso? Por que aquilo se tornou certo?” Mas olhe o que diz a Palavra: você é escolhido por Deus. Você que está lendo esse texto, sentado no sofá ou o que quer que esteja fazendo, se você está lendo e se interessando, é porque você faz parte de uma família. E a minha família é assim: temos os nossos pecados capitais, e um deles é o julgar. Mas quem sou eu para julgar essa multidão que é a minha grande família?
A diferença entre julgar e orientar com misericórdia
O segredo não está apenas na teoria, mas na experiência pessoal e na prática contínua do discernimento. Hoje, viver sem discernimento é muito difícil. Eu, com a idade que tenho, já sendo uma pessoa velha, vivi de um jeito. Se eu for encarar a juventude de hoje como ela está, eu só vou julgar — e não vou julgar para o bem, vou julgar para o mal.
Não podemos ser assim. Pense um pouquinho: quando você foi jovem, você também fez coisas que não deveria ter feito; humanamente, seria um abuso.
Eu escrevi um livro onde conto uma milésima parte da minha vida, mas quero destacar a época em que morei com meu amigo Padre Jonas. Mesmo eu passando por turbulências e dificuldades, convivendo com esse homem santo que me conhece pelo avesso, ele nunca me julgou; ele sempre me orientou.
Discernimento na prática: enfrentando nossas fraquezas
Muitas vezes, com nossos filhos e familiares, temos essa mania de julgar: “você está errado por isso”, “você não tem jeito”. Mas é o contrário! Temos que ter discernimento justamente sobre isso. Quanto mais você se observa e busca entender as moções — ou seja, os envios em sua alma —, mais afiado se torna o seu discernimento pessoal. Quanto mais você busca a razão e o “porquê”, em vez de apenas julgar, mais você afina sua alma.
O que falta no mundo hoje é justamente isso, pois sentamos num patamar de julgamento onde impera o “eu quero desse jeito, eu faço desse jeito”. Muitas coisas estão desmoronando porque não há uma liderança sadia. As pessoas agem sem parar para pensar antes, sem discernir por que algo está acontecendo. Se uma parte está errada, a outra também tem seus erros; ninguém é totalmente certo neste mundo.
O Discernimento como fruto do Espírito Santo
O discernimento pessoal é um processo contínuo de aprendizado, no qual você começa a reconhecer a voz de Deus e a distinguir as tentações do inimigo ou as suas próprias fraquezas. Por que certas situações irregulares acontecem na nossa vida? Por que problemas com bebidas ou drogas persistem? Isso acontece porque não estamos apurados no nosso discernimento. Muitas vezes, culpamos o demônio, mas nem sempre é ele; às vezes é o nosso interior.
Por que seu fim de semana, que deveria ser de alegria e de convivência familiar, é marcado por brigas e discussões? O inimigo não quer sua felicidade, é verdade, mas, muitas vezes, nós somos os culpados. Trazemos os problemas do trabalho para dentro de casa e não conseguimos conviver bem com quem amamos.
O discernimento e a oração são ferramentas que Deus nos oferece para nos guiar em nossos caminhos espirituais. São sinais para crescermos em santidade e estarmos em comunhão com a vontade divina.
Ser de Deus é muito fácil e muito gostoso, pessoal! Temos cruzes? Temos cruzes, mas sem a cruz não somos de Jesus. Então, louvada seja a cruz que temos nos ombros.
Deus abençoe todos! E não se esqueçam: o discernimento é um fruto do Espírito Santo que está dentro de você. Deus abençoe!
Do seu amigo,
Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova
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