Marta Faustino
20 Julho 2021
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Como reconhecer que uma criança sofreu um trauma

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Temos vindo a refletir sobre os traumas na infância e suas repercussões, mas como reconhecer que uma criança viveu um trauma?

A infância é um momento de muita confusão mental, memórias entrelaçadas, experiências fortes, vivências emocionais intensas, muitas descobertas, conquistas, onde se vive tudo muito intensamente. Desta forma, para uma criança viver um trauma não tem, necessariamente de experienciar uma situação de dor ou perda concreta, mas ela pode, simplesmente, ser percecionada como tal. Por isso é tão importante que nada seja oculto à criança, sobretudo nunca mentir, nem esconder os nossos sentimentos ou emoções, pois elas são perspicazes e vão ficar a pensar sobre o assunto.

imagem | freepik

Logo na infância existem alguns comportamentos que podemos observar na criança, que sofreu algum trauma, e que nos podem despertar a atenção para tentar perceber o que aconteceu, ajudar a criança a falar da situação, esclarecer, se foi algum mal-entendido, protegê-la da pessoa que a ameaçou, magoou e procurar ajuda especializada, se for o caso.

As crianças que sofreram algum trauma tendem a mostrar sinais de medo e vulnerabilidade, nem sempre são percetíveis, mas deixamos alguns pontos a ter em conta:

– o apetite muda (pode começar a comer mais ou menos, pode mesmo recusar comer de todo);

– dificuldades em dormir, pode não conseguir adormecer, acordar várias vezes durante a noite, e/ou acordar muito cedo e não conseguir voltar a dormir;

– pesadelos, voltar aos terrores noturnos, com isso querer dormir na cama dos pais;

– começar a queixar-se de dores, as mais comuns são de cabeça e/ou barriga;

– descontrolo intestinal, sem motivos para tal;

– dificuldade de concentração ou de prestar atenção;

– aumento da agressividade e/ou irritabilidade, sem motivos para isso;

– choro descontrolado;

– mudança na socialização (deixar de interagir com os amigos, isolar-se na escola e/ou em casa, ou de repente começar a falar muito e a interagir muito, quase ofegante como se não quisesse parar e pensar o que aconteceu);

– problemas na escola, podem ser retrocessos nas aprendizagens, dificuldade em reter novas informações ou problemas sociais, como começar a responder aos professores ou isolar-se bastante e calar-se;

– podem, ainda, demonstrar comportamentos regressivos, isto é, se já não usa chupeta, voltar a pedir, se já não usa fralda, voltar a precisar, se já controlava os esfíncteres, deixar de conseguir, etc.

Como vemos, são diversas as situações que podem ocorrer e mais diversificados os comportamentos que a criança pode demonstrar. A forma mais simples é pensar, sempre que uma criança tem um comportamento atípico, isto é, que não é normal nela, é importante averiguar, estar mais atento, questionar a escola, vizinhos, e ficar bem atento a algum outro sinal que a criança dá.

Marta Faustino
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Marta Faustino

Casada, mãe e membro da Comunidade Canção Nova. É psicóloga clínica, com pós-graduação em Neuropsicologia de Intervenção, Psicopatologia da Criança e do Adolescente, e em Logoterapia e Análise Existencial. Contacto: marta.faustino@gmail.com

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