Marta Faustino
08 Fevereiro 2022
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Como amar o meu filho no auge das birras?

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Quando uma mãe ou um pai recebe o seu filhinho, recém-nascido, nos braços é uma alegria imensa! Não há palavras que consigam expressar esse júbilo, gratidão ou o amor que se sente nesse momento. Sentimo-nos os pais mais felizes do mundo, o orgulho preenche o nosso coração e o amor brota de forma natural em gestos de carinho, de mimo, de palavras carinhosas, abraços apertados, entre outros. Ah! Como é fácil amar um bebé.

Os dias vão passando, os meses voam e quando damos por nós, temos uma criança de 2, 3 anos a fazer birras, a gritar, a fazer “cara de mau” para nós, beicinho … e nós a perguntar, “mas para onde foi o meu bebé tão docinho e amoroso que era tão fácil amar?!”

De repente, parece que já não sabemos amar!? “Será que ela não está a entender que a amamos?!” ou “será que a raiva do auge das birras me cega e eu já não sei amar o meu filho?” ou, ainda, “onde é que eu errei?!”. Estas questões começam a povoar a nossa mente e as incertezas na educação surgem.

Calma! O mais provável é a criança estar a passar por uma fase onde testa os nossos limites e quer afirmar a sua vontade. A criança descobre que pode dizer “Não” e isso até tem um efeito interessante nos seus pais, pois eles ficam baralhados e, por vezes, consegue, inclusive, ter aquilo que quer, pois vence-os pelo cansaço!

Esta fase é muito difícil e desgastante, e é necessária uma grande firmeza na educação, mas quero centrar-me numa outra questão: o amor.

A firmeza ela é necessária e estabelecer limites, também, contudo, não podemos esquecer que a criança continua a precisar de se sentir segura e amada pelos seus pais. Nestas situações de caos, de birras descontroladas, podemos acabar por nos centrar, somente, na firmeza e esquecemos do amor. Mas, da mesma forma, podemos ter sempre, como nós psicólogos chamamos, momentos de reparação. Estes são os momentos onde, posteriormente à birra, quando a criança acalma, e os pais também, eles percebem que, talvez, tenham exagerado, ou vem um sentimento de culpa ou de pena, pois observam o seu pequenino tão calminho agora, tão mimoso, “como fui capaz de lhe gritar?!” ou “oh coitadinha, ela ainda não entende!”, e é, nesse instante, que devemos aproximar-nos da criança e ter esse momento onde reparamos a confusão anterior.

Como fazemos isso? Conversando calmamente com ele (eles entendem tudo o que dizemos com calma), olhando nos seus olhos, carregando ao colo, ou sentado lado a lado e falar do que aconteceu, por exemplo: “Oh Laurinha, tu gritaste tanto que a mamã ficou com o coração muito triste e pequenino, mas agora estás a ser uma linda menina, a portar bem, obedecer à mamã e ao papá, muito bem, o nosso coração agora está grande e contente contigo.” Caso tenhamos deixado a raiva guiar o nosso comportamento, também devemos pedir desculpa por isso, pois eles aprendem, igualmente, que pedir desculpa é importante.

À medida que vão crescendo, este tipo de diálogo com eles, vai ajudar a estruturar o seu cérebro e, sobretudo, as suas emoções. Com estas atitudes estamos a educar para a inteligência emocional, a criar crianças que sabem falar, expressar as suas emoções, que se autocontrolam e, portanto, não reagem no impulso, o que as leva a tomar atitudes assertivas, com mais ponderação.

 

Chapman, G. & Campbell, R. (2013). As cinco linguagens do amor das crianças. São Paulo: Mundo Cristão.

Marta Faustino
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Marta Faustino

Casada, mãe e membro da Comunidade Canção Nova. É psicóloga clínica, com pós-graduação em Neuropsicologia de Intervenção, Psicopatologia da Criança e do Adolescente, e em Logoterapia e Análise Existencial. Contacto: marta.faustino@gmail.com

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