Padre António Justino Filho
28 Fevereiro 2021
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A mística tem de ser traduzida em caridade

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Estamos no 2º Domingo da Quaresma! Vamos poder perceber na liturgia da Palavra que a cena da Transfiguração é uma amostra do que será o Cristo glorioso, que não podemos parar nela, mas com essa experiência voltar à realidade.

imagem | cathopic

Deus, que tudo nos dá, a começar pela própria vida, é natural que de nós espere a nossa total entrega. Segundo a cultura daqueles tempos, Deus propõe a Abraão o sacrifício da vida de seu filho (Gn 22, 1-2.9a.10-13.15-18). Abraão aceita o paradoxal desafio, mas é impedido por Deus de executar tão dramático gesto: “Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum”. Em recompensa da sua obediência incondicional, foi-lhe prometida uma descendência tão grande como as estrelas do céu e as areias do mar.

Abraão ensina-nos a não pôr condições a Deus, a não rebaixar as suas exigências, pois são sempre a nosso favor e nunca contra nós.

São Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma (Rm 8, 31b-34), e a todos nós, recorda que só Deus é omnipotente, não havendo nenhuma força concorrencial que possa contrariar o amor que Deus nos tem: “Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós?” Temos incontáveis razões para vivermos na paz da confiança total. O apóstolo Paulo usa a imagem de nós pecadores sermos levados ao tribunal de Deus, acusados pelas nossas culpas. E lembra que Jesus Cristo será o nosso defensor, pois deu a vida por nós e por nós ressuscitou glorioso. Temos a nosso favor o melhor advogado de defesa, por mais graves que sejam as nossas culpas.

No centro do Evangelho de São Marcos (Mc 9, 2-10), encontramos a cena da transfiguração. Os discípulos já tinham intuído que Jesus não era um rabi comum, mas um mestre que até fazia milagres. A transfiguração dá-se num “alto monte”, com testemunhas celestiais, Moisés e Elias, perante um número restrito de presenças: Pedro, Tiago e João. Toda a cena é uma confirmação solene da divindade de Jesus. Faz-se ouvir uma voz do céu: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-o”.

A experiência da nossa oração deveria, de algum modo, ser uma atualização desta cena evangélica. Jesus convida-nos a deixar o vale dos afazeres comuns e a subir ao monte da proximidade íntima com Deus. Como Pedro, poderemos sentir a tentação de ficarmos estacionados na oração: “Como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas”. Mas a oração é como um rio que deve desaguar no mar da vida. Deus quer que a nossa experiência de oração transforme a nossa vida. A mística tem de ser traduzida em caridade.

Contemplemos ainda o domingo do Senhor com o Salmo 115 (116) – Andarei na presença do Senhor sobre a terra dos vivos.

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