Papa reflete sobre a morte e o paraíso, onde só o amor permanece

Francisco sublinha necessidade da Misericórdia divina para todos, concluindo ciclo de catequeses sobre a esperança


O Papa Francisco encerrou hoje no Vaticano o ciclo de catequeses sobre a esperança, que começou em dezembro de 2016, com uma reflexão sobre a morte e o paraíso, onde só o amor permanece.

“Nesse momento [da morte], finalmente, não teremos necessidade de nada mais, deixaremos de ver de maneira confusa; já não choraremos inutilmente, porque tudo passou, também a profecia, também o conhecimento. Mas o amor não, esse permanece, porque a caridade nunca terá fim”, declarou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

A audiência geral desta semana partiu do episódio do assim chamado “bom ladrão”, crucificado ao lado de Jesus, que lhe manifesta o seu arrependimento.

“Não existe nenhuma pessoa, por muito má que tenha sido a sua vida, a que Deus negue a sua graça, se ela se arrepender. Perante Deus, encontramo-nos todos com as mãos vazias, mas esperando na sua misericórdia”, assinalou o Papa.

“Não há pessoa, por pior que tenha vivido, a quem reste apenas o desespero e seja proibida a graça”, insistiu.

Francisco falou do paraíso como o lugar do “abraço com Deus, Amor infinito”, e não como uma “lugar de fábula, muito menos um jardim encantado”.

“É esta a meta da nossa existência: que tudo se cumpra e seja transformado em amor”, declarou.

O Papa recordou que Jesus prometeu o paraíso – na única vez que esta palavra aparece nos Evangelhos – a um “pobre diabo”, um dos ladrões crucificados ao seu lado, quando este proferiu uma palavra de “arrependimento humilde” e soube tocar o “coração” de Cristo.

“A morte deixa de assustar-nos, podemos esperar partir deste mundo de forma serena, com muita confiança”, acrescentou.

No final do encontro semanal, o Papa deixou uma mensagem aos peregrinos de língua portuguesa: “Queridos amigos, a fé na vida eterna nos leva a não ter medo dos desafios desta vida presente, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre a morte. Que Deus vos abençoe”.

Francisco evocou ainda o final do mês de outubro, recomendando aos católicos a recitação do Rosário.

A audiência começou com uma imagem que se vai tornando “marca” destas audiências públicas, quando o Papa deu boleia, no papamóvel, a um grupo de crianças e adolescentes, no seu percurso inicial de saudação aos peregrinos na Praça de São Pedro.