O envolvimento paterno na educação

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O homem tem um papel específico na sociedade, pois tem um dom e uma missão que só ele pode realizar. Embora a sociedade fale da “guerra dos sexos” e o movimento feminista erga a bandeira da “igualdade”, a verdade é que homem e mulher são diferentes, têm dons específicos e uma missão distinta.

O homem só se percebe homem perante a mulher. O homem sozinho não consegue viver a plenitude da sua vida, ele tem de ter alguém para amar. Deus sonhou o homem para ser chefe de família, guia, protetor e amparo da mulher, o seu consolo, o seu coração. O homem deixa o seu pai e a sua mãe, para construir a sua própria família, junto com a mulher. Cada um tem um papel a desempenhar, muito específico e, quando os papéis se confundem, tudo desmorona. “Por esse motivo, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão os dois uma só carne” (Gn2, 24). Não é só união dos corpos (como nos animais), mas é uma expressão “sacramental”, que corresponde à comunhão de pessoas.

Desta forma, percebemos que a paternidade está na essência do ser homem: cuidar, prover, amar, proteger; faz parte de si e o homem só se sente realizado quando cumpre essa missão. No caso dos padres (ou leigos celibatários) falamos da paternidade espiritual e como é bela essa missão do homem celibatário, que cuida, guia, escuta e conduz cada pessoa que lhe é confiada.

Interessante constatar que, desde há uns anos, os homens têm vindo a estar mais presentes na vida familiar e participam muito mais na educação dos filhos. Edyleine Benczik, doutorada em psicologia do desenvolvimento humano, num artigo de revisão, refere que “O papel do pai na sociedade tem se transformado, sobretudo, nas últimas décadas. De facto, a “condição” de pai evoluiu e continua em franco processo de evolução, devido às transformações culturais, sociais e familiares, passando pela fase em que os filhos eram propriedades do pai (com as mães quase sem direitos), e pela fase em que o pai era apenas o suporte financeiro da família.”

Atualmente, as teorias psicológicas e as pesquisas científicas não negam a importância do pai no desenvolvimento da criança, antes pelo contrário constatam que a interação pai-filho é um dos fatores preponderantes para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, facilitando a aprendizagem e a integração da criança na comunidade. Todos os estudos apontam para a importância do pai, também, nos primeiros anos de vida, e não só a mãe, sobretudo entre os seis meses e os dois anos, onde a criança começa a explorar o mundo e o pai serve de apoio para essa exploração. O pai assume o papel de auxílio para o bebé se “desprender” da mãe e é nele que o bebé vai encontrar o suporte e incentivo para essa autonomia e independência. Mais tarde, na adolescência, este apoio vai ser muito importante e estruturante, pois é o pai que vai, novamente, cooperar para essa independência e vai fortalecer a confiança neles mesmos, estabelecer limites claros e ensinar regras de convivência social.

As crianças que crescem com o pai presente manifestam uma boa relação com os demais, interações sociais saudáveis e prazerosas, menos comportamentos delinquentes; equilíbrio emocional, mais satisfeitas consigo mesmas, mais autónomas, criativas, seguras de si e das suas ideias; cognitivamente mais desenvolvidas, desenrascadas, perspicazes; independentes e autónomas. A literatura constata que o envolvimento do pai na vida do filho promove segurança, autoestima, independência e estabilidade (1).

Concluindo, o pai está mais próximo dos seus filhos, mais participativo, interventivo e partilha vários aspetos da vida dos seus filhos.

 

(1) Benczik, E. (2011). A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. In Revista Psicopedagogia 28(85): 67-75. São Paulo.

Marta Faustino
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Marta Faustino

Casada, mãe e membro da Comunidade Canção Nova. É psicóloga clínica, com pós-graduação em Neuropsicologia de Intervenção, Psicopatologia da Criança e do Adolescente, e em Logoterapia e Análise Existencial. Contacto: marta.faustino@gmail.com

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