Paula Ferraz
04 Julho 2022
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Do trono aos altares: Isabel de Aragão

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Isabel de Aragão casou com Dom Dinis, o rei de Portugal. Homem culto escolhe Isabel para esposa e oferece-lhe Óbidos, Porto de Mós, Abrantes e mais doze castelos.

Culta, generosa, sensível, corajosa, foi educada para rainha, mas distinguia-se de todas as outras por proteger e confortar os pobres e os marginalizados pela sociedade e por se dedicar à oração, ao jejum, à meditação. Devota da Nossa Senhora da Conceição, ajuda a firmar este culto.

O seu nascimento vai pôr fim a algumas discórdias que pesavam sobre a coroa aragonesa: o seu avô Jaime I chama-a carinhosamente de “rosa da Casa de Aragão”.

Em Portugal, acompanha o rei em muitas diligências e a sua presença e desvelo para com todos, especialmente, com os mais fracos, tornam-na querida do povo que lhe atribuiu o título de “santa”. O povo via nela um anjo protetor: atenta aos mais necessitados, criou diversas instituições para acolher pobres e doentes, viúvas e órfãos. Quando fica viúva, retira-se para o Convento das Clarissas, em Coimbra, onde veste o hábito mas não professa votos para poder dispôr da sua fortuna para as obras que já tinha em curso. O rei Dom Dinis nem sempre aprovou esta forma de ser da rainha e muitas vezes a tentou contrariar, mas ela encontrava sempre uma forma de ajudar quem precisava. É-lhe atribuído o “milagre das rosas”: o pão e as moedas que leva escondidos no regaço transformam-se em rosas diante do rei. Era Janeiro. Um milagre semelhante é atribuído a Isabel da Hungria, sua tia-avó.

É mediadora de diversos conflitos, nomeadamente entre o rei, seu marido, e o irmão D. Afonso e entre o rei e o príncipe herdeiro. Morre em Estremoz quando vai conciliar o filho, Afonso IV, com o neto, Afonso XI de Castela, e terminar uma luta entre ambos. Tinha 66 anos, estava enferma e partiu de Coimbra, para mais uma vez harmonizar os desavindos. O filho escuta-a e atende ao seu pedido. Foi sepultada em Coimbra, cumprindo-se assim o seu pedido.

É beatificada em 1516, pelo Papa Leão X e canonizada por Urbano VIII.

No Romanceiro e Cancioneiro Popular Português aparece esta referência:

“Romance da Rainha Santa Isabel

Peço graça com fervor

Do divino Manuel,

Para que haja de rezar

Da Rainha Santa Isabel:

Em Saragoça nascida,

Segundo a oração diz,

Foi rainha mui querida,

Mulher d’el-rei Dom Dinis;

Aos pobres socorria

Com entranhas do coração;

Pois de ninguém se fiava,

Sua esmola apresentava

Com a sua própria mão.

Vindo a “santa” um dia,

Com seu regaço ocupado,

Pelo tesouro que havia,

Com el-rei eis encontrada!

«Que levais aí, Senhora?

Levo cravos e mais rosas,

Para mais nossa alegria.

Bem sei que levais dinheiro,

Segundo sois costumada;

Antes que muito me cheira,

Rosas em Janeiro,

É de maravilha achá-las!»

A Senhora

O seu regaço lhe amostrou,

Cravos e rosas achou,

Um cheiro que admirava.

«Ó rainha excelente!

Meu tesouro podeis dar,

Minha coroa empenhar

Porque tudo estou contente.»

Estando a “santa” um dia

Na sua sala sentada,

Chegou-lhe um pobre chagado,

Se o podia arremediar;

Ela lhe disse

Com palavras de amor:

«Mandarei chamar o doutor,

Que vos haja de curar.

Senhora, se queredes

Ter o vosso coração inflamado,

Deitai-me na vossa cama,

Que eu serei remediado.»

A Senhora

De pés e mãos o lavou,

Na sua cama o deitou.

Um cavaleiro, que no paço

Havia encontrado,

A el-rei tudo é contado.

Vindo el-rei muito agastado,

Com tenção de a matar,

Contra a clemência que usava;

Na cama onde repoisava

Deitar um pobre chagado.

A Senhora correu o cortinado,

Achou Jesus crucificado!

Muito chorou o rei com ele

Dos milagres, que ela tinha obrado.

Em Estremoz acabou

Em Coimbra está sepultada,

No convento que formou

De Santa Clara sagrada.”

Esta foi a rainha que se tornou santa. Rainha Santa Isabel de Portugal, rogai por todos nós, desvalidos, neste tempo de incerteza e receio, mas de esperança e fé!

Paula Ferraz
Shear it!

Paula Ferraz

Mãe, avó e membro da Comunidade Canção Nova. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, Formadora acreditada em língua portuguesa e das literaturas lusófonas e clássicas, pós graduada em Mediação Intercultural, certificada em Filosofia para Crianças e Jovens e Mestrado em Ensino do Português como língua segunda/língua estrangeira.

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